Esta revista não tem um tema especifico. Trata-se antes de um exercício de registo,
de memória e reflexão. Claro que são bem vindos todos os temas que se classifiquem
como investigação, e, por isto queremos publicar aqueles que apresentem uma razoável
originalidade, completando, ou formulando hipóteses inovadoras, ou que preocupem de
alguma forma doentes e técnicos. De qualquer forma, desde o inicio, que a ideia era
construir, editar, uma revista que não fosse mais uma, no campo editorial do género,
mas sobretudo uma em que prevalecesse o principio da multidisciplinariedade, em saúde
mental, cortando a artificialidade da compartimentação do ser humano no mundo. Não
só enquanto mente, mas igualmente como corpo, ocupando espaço, variando no tempo
e recebendo múltiplas influências do ambiente, história e circunstâncias. Não só da sua
família e do pequeno meio que o rodeia, mas também igualmente de uma cultura que
vindo a decorrer ao longo dos séculos, se movimenta no tempo atual de uma forma
que ultrapassa o pensamento, contentamento, ou sofrimento humano, mas se relaciona
de forma , tantas vezes aleatória, com a natureza, a ancestralidade e a evolução do
planeta. E, mesmo não sendo aleatória, encontrar os padrões que o retiram do casual e
se centram em causalidades diversas.
Pensar o homem isolado nas suas condicionantes e doenças, centro de um mundo, que
afinal está em mudança permanente, parece-nos demasiado redutor, ainda que o nosso
“mater” seja o homem, as suas alegrias, sofrimentos e doenças. Registar o que foi dito,
ou refletido, parece-nos ser um bom, e duplo, exercício de reflexão. E, neste sentido, esta
revista começou a ganhar corpo. E, convidamos investigadores de outras áreas, para além
da saúde, como da área da filosofia, antropologia, sociologia, gestão e outras.
Bem sabemos que existem muitas revistas, mas essas, muitas, não são organizadas,
pensadas, ou previstas, para o que aqui vamos trabalhando. Bem sei que o percurso
seguro de uma edição deste teor pode levar muito tempo a afirmar-se, mas o nosso
objetivo principal nunca foi totalmente esse. Contudo não admitiremos falta de qualidade
ou rigor no que aqui for tratado. E, sendo assim, acreditamos que se imporá naturalmente, nas tão referenciadas indexações formais. Veremos o que nos trás o trabalho, que desde já adivinhamos ser muito.
Os autores que convidamos falam por si e pelo seu percurso, outros estão a começar,
são muito sérios, competentes e bons na sua área. Tudo leva a crer que caminhamos bem.